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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Foz do Iguaçu dando exemplo de honestidade, barraca sem vendedor, você, paga e pega seu produto.


Barraca sem vendedor aposta na honestidade das pessoas em Foz do Iguaçu
O freguês paga e pega o produto livremente, sem caixa e nem vendedor para acompanhar.



Fonte: Portal da Cidade Foz
Postado em 01/09/2018 às 10:43 | Atualizado há 2 dias às 13:19




(Foto: Divulgação)

Com tantos casos de corrupção, furtos, golpes e assaltos, o brasileiro tem ficado cada dia mais descrente. No entanto, um projeto em Foz do Iguaçu está mostrando que ainda é possível acreditar na honestidade das pessoas. O cliente pega e paga o produto livremente, sem caixa e nem vendedor para acompanhar.

A "Barraca da Honestidade" é uma parceria entre a Justiça Federal e o 14° Batalhão de Polícia Militar. Aproveite para comprar verduras e legumes orgânicos do Horta Solidária a um preço especial. Todo o valor arrecado com a venda dos produtos será doado para entidades assistenciais da cidade.

A barraca funcionará todas as terças e quinta-feiras, das 08h às 11h, na Avenida General Meira, próximo a Polícia Militar.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Barraca sem vendedor comercializa produtos à base da confiança em MG

Fonte: G1 do Sul de Minas
20/01/2017 07h30 - Atualizado em 20/01/2017 07h30

Comércio fica na beira de uma estrada na zona rural de Delfim Moreira.
Ideia partiu de engenheiro aposentado que hoje trabalha no campo.
Veja o Vídeo

Um agricultor apostou no comércio à base da confiança ao montar uma barraquinha na zona rural de Delfim Moreira (MG) para vender doces, refrigerantes e, principalmente,frutas, verduras e legumes orgânicos. Placas indicam que a ideia é pegar o produto desejado e pagar na base da honestidade, já que não há ninguém tomando conta do local.
Até uma caixinha foi deixada na barraca para que o cliente possa pegar o troco, se for o caso. A novidade vem atraindo a atenção de quem passa pela estrada onde está a barraquinha.

“Eu achei estranho, porque é esquisito fazer um comércio na beira da estrada e deixar [sozinho]”, disse o agricultor Andrei José da Silva.




Barraca em Delfim Moreira (MG) tem até uma caixinha para a pessoa pegar o troco (Foto: Reprodução EPTV/Erlei Peixoto)

“Achei isso uma coisa fascinante. Seria muito legal se essa moda pegasse”, contou o empresário Alfredo Cantelmo.

O curioso é que em uma da placas afixadas pela barraca há uma que informa: “Aqui realmente ninguém está sendo filmado”.

“A gente nem acreditou quando a gente passou ontem aqui e viu. Voltamos hoje para constatar e comprar mais, porque no mundo que a gente vive hoje é, realmente, interessante”, contou a pedagoga Sílvia Helena Curi Silva, que passou com o marido pelo local.

Plaquinhas anunciam que comércio é feito na base
da confiança em Delfim Moreira (MG) (Foto:
Reprodução (EPTV/Erlei Peixoto)


A ideia é de um engenheiro aposentado que passa grande parte do dia em um terreno na roça, bem de frente para a Serra da Mantiqueira. “A barraca fica sem ninguém lá, porque nesse momento que não tem ninguém lá, eu tenho que estar produzindo para vender”, explicou o, agora, agricultor, José Cláudio da Silva.

“Seo” Zé Cláudio, como é conhecido na região, se considera um sonhador e disse que como já tinha ouvido falar de ideias parecidas em outros países, resolveu arriscar. “Estou vendo com bons olhos. Acredito e tenho certeza que esse é um dos caminhos para que a gente reverta a imagem de que o brasileiro é desonesto”, afirmou.

A mulher de “seo” Zé Cláudio só ficou sabendo da ideia quando já estava tudo pronto, mas não acreditou muito no projeto do marido. “Eu falei: não vai rolar, não vai rolar!”, disse Maria De Fátima Pereira da Silva.

Mas parece que tem dado certo. Pelo menos, todo fim de tarde o dinheiro está lá na caixinha. “Espero que apareça mais ‘Cláudio’ para que montar outras lojas como esta”, revelou o agricultor.



Barraca sem vendedor atrai a atenção dos clientes em Delfim Moreira (MG) (Foto: Reprodução EPTV/Erlei Peixoto)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Quando a lavoura vira praga

AS- PTA
Número 612 - 21 de dezembro de 2012

Car@s Amig@s,

Conforme divulgamos no Boletim 610, em outubro último a revista científica Environmental Sciences Europe publicou a primeira pesquisa revisada por pares analisando o impacto das lavouras transgênicas sobre o uso de agrotóxicos, utilizando dados do Departamento de Agricultura do governo dos EUA (USDA).

No caso das lavouras tolerantes à aplicação de herbicida, os dados oficiais mostraram um aumento de 239 milhões de kg no uso dos venenos nos EUA entre 1996 e 2011. Especificamente sobre esse tipo de modificação genética, os números indicam que, em 2011, nos EUA, o volume de herbicidas aplicados foi 24% maior nas lavouras transgênicas do que nas áreas onde são plantados cultivos não transgênicos.
Inúmeras evidências empíricas aqui no Brasil têm corroborado essas conclusões. Pelo menos cinco espécies de plantas invasoras já desenvolveram resistência ao glifosato, ingrediente ativo do herbicida Roundup, utilizado nas lavouras transgênicas, o que tem levado agricultores brasileiros a aplicar doses reforçadas do produto ou recorrer a combinaçoes com herbicidas mais tóxicos (como 2,4-D e atrazina) buscando eliminar o mato que não mais é controlado pelo sistema ‘semente transgênica + herbicida’.

Mas um caso que chama a atenção nesse sentido, cada vez mais recorrente no Centro-Oeste, é aquele em que as próprias lavouras transgênicas transformam-se em plantas invasoras na sucessão de safras como no caso soja/milho. Explicando melhor: o clima da região permite a obtenção de duas colheitas a cada ano, sendo frequente a alternância entre o plantio de soja com o de milho ou algodão (em lugares como o Mato Grosso, por exemplo, a “safra” e a “safrinha” podem chegar a adquirir igual importância econômica). Agora, com o crescente uso das sementes transgênicas tolerantes a herbicidas, grãos remanescentes de plantios anteriores estão gerando plantas “invasoras” nas novas safras, também tolerantes ao herbicida – o que complica o novo plantio.

Viajando pelas estradas, pode-se facilmente ver grandes extensões de lavouras de soja infestadas por plantas de milho transgênico. De um lado, perde-se a facilidade de manejo prometida pelo sistema transgênico de tolerância a herbicidas. De outro, segue-se a tendência de aumento no uso de agrotóxicos.

Como as plantas infestantes são transgênicas e, assim como a nova lavoura, não morrem quando pulverizadas com glifosato, os agricultores veem-se forçados a recorrer a outros venenos. No caso do milho há ainda a possibilidade de se utilizar herbicidas seletivos que matam apenas as plantas de folha estreita (monocotiledôneas), preservando-se assim a lavoura de soja. Mesmo assim, quantas aplicações adicionais de veneno serão necessárias para eliminar dos campos o milho indesejado?

E quando as plantas infestantes forem de algodão – que, assim como a soja, são de folha larga (dicotiledônea)? Certamente o problema será maior. Assim como é certo que o desenvolvimento de novas variedades transgênicas tolerantes a outros tipos de herbicidas só fará aumentar as dificuldades de manutenção das lavouras transgênicas “limpas” de plantas invasoras.

Reportagem publicada recentemente no Cenário MT relata que o problema da invasão de milho transgênico em lavouras de soja tem ocorrido mesmo em propriedades em que só se planta milho convencional. Segundo a matéria, o problema já vem acontecendo há três anos, mas nesta safra está muito intensificado. Uma das hipóteses para explicar o fenômeno é a contaminação do milho convencional plantado nessas propriedades através da polinização por lavouras de milho transgênico situadas nas proximidades. Outra hipótese é que as sementes de milho convencional compradas pelos produtores já venham contaminadas “de fábrica”, supondo-se que as próprias empresas sementeiras não estejam conseguindo segregar as sementes convencionais das transgênicas. A matéria conta sobre um produtor de Primavera do Leste – MT que acabou tendo que contratar uma equipe para fazer a retirada manual das plantas de milho na lavoura de soja (prática que tem sido recorrentemente relatada nos EUA).

As perdas econômicas para os produtores em decorrência deste problema são facilmente previsíveis. O maior número de aplicações (e de tipos de agrotóxicos utilizados) aumentará os custos de produção. O problema econômico será ainda maior quando se fizer necessária a capina manual – sem deixar de considerar que o que em 2 hectares pode não ser tarefa tão difícil, nas numerosas lavouras de milhares de hectares existentes no Centro-Oeste pode se tornar um pesadelo sem solução. Além disso, as colheitas deverão alcançar menor valor no mercado, pois a lavoura de soja infestada por pés de milho gerará grãos com “impurezas”.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Rudolf Steiner

"Aquele a quem a Natureza começa a desvendar seu segredo manifesto experimenta um anseio irresistível por sua intérprete mais digna: a Arte".

Rudolf Steiner - 1861 - 1925.



Rudolf Steiner nasceu em 27 de Fevereiro de 1861 em Kraljevec (Áustria). Tendo cumprido em Viena estudos superiores de ciências exatas, foi solicitado a dedicar-se, a partir de 1883, à edição dos escritos científicos de Goethe na coleção Deutsche National-literatur (Literatura Nacional Alemã).

Depois de alguns anos em Berlim como redator literário, Steiner passou a dedicar-se a uma intensa atividade como conferencista e escritor, no intuito de expor e de divulgar os resultados de suas pesquisas científico-espirituais, de início no âmbito da Sociedade Teosófica e mais tarde na Sociedade Antroposófica, por ele fundada.

Em 1924 criou o Curso sobre agricultura em Koberwitz (Fundamentos da Agricultura Biodinâmica – vida nova para a terra, GA 327), dando origem à agricultura biodinâmica. Curso sobre Pedagogia Curativa (GA 317), dando origem a esse ramo de aplicação da Antroposofia.

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Na trilha sustentável dos incas

Na época de hoje, onde a busca pelo desenvolvimento sustentável traduz a necessidade de convivermos em equilíbrio com a natureza, é importante recuperarmos a memória da existência de uma civilização que nos antecedeu no continente sul-americano e que há oito séculos já praticava com maestria os caminhos da sustentabilidade

Célio Bermann* - Fonte: Bons Fluidos - 09/2012


Machu Picchu, Peru, Cusco, Inca, Incas, Santuário

"Encontramos esses reinos em tal bom estado, e os incas os governavam de maneira tão sábia, que entre eles não havia um ladrão ou um viciado, não havia tampouco pessoas imorais. Os homens tinham ocupações honestas e úteis. As terras, florestas, minas, pastos, casas e todos os tipos de produtos eram controlados e distribuídos de tal forma que cada um sabia o que lhe pertencia, sem que outro tomasse ou ocupasse algo alheio, ou fizesse queixas a respeito... O motivo que me obriga a fazer essas declarações é a libertação da minha consciência, visto que me considero culpado. Pois destruímos, com nosso mau exemplo, as pessoas que tinham tal governo e também o que era desfrutado por esses nativos."

Essas palavras foram escritas em 1589 por Mancio Serra de Leguisamo. Ele fazia parte das tropas que acompanharam o colonizador espanhol Francisco Pizarro na invasão e conquista do território inca no Peru.

No século 14, o império inca dominava cerca de 20 milhões de pessoas, espalhadas por um vasto território, que englobava terras desde o sul da Colômbia e o extremo norte do Equador, todo o Peru e a Bolívia, o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital do império era a atual cidade de Cusco (o umbigo do mundo, em quéchua, idioma mais falado por eles). O poder era centralizado na figura de um soberano, denominado inca (o filho do Sol). Com ampla autoridade, ele era considerado quase um deus naquela sociedade.

Sob a liderança do inca Pachacuti, que chegou ao poder em 1438, Cusco passou a ser considerada o centro espiritual e político do império. Entre as suas realizações, está a arquitetura, a construção de estradas, pontes e engenhosos sistemas de irrigação.

Os incas não usavam dinheiro; eles faziam escambos, por meio dos quais mercadorias eram trocadas. Mesmo o trabalho era remunerado com mercadorias e comida. Serviam de moedas de troca também sementes de cacau e conchas coloridas, que eram consideradas de grande valor.

AGRICULTURA EM SINCRONIA COM OS CICLOS NATURAIS
Estima-se que os incas cultivavam cerca de 700 espécies vegetais. A chave do sucesso da agricultura inca era a existência de estradas e trilhas que possibilitavam uma boa distribuição das colheitas numa vasta região. As principais culturas vegetais eram batata, milho, pimenta, algodão, tomate, amendoim, mandioca e um grão de alto valor nutritivo conhecido como quinua, que hoje virou febre entre os brasileiros.

O plantio era feito em terraços, onde usavam a adiantada técnica das curvas de nível, sendo os primeiros a adotar o sistema de irrigação. Varas afiadas e arados revolviam o solo. As lhamas transportavam as colheitas e também forneciam lã, para fazer tecidos, couro e carne. 

As técnicas agrícolas desenvolvidas pelos incas surgiram da necessidade de criar áreas de cultivo que superassem os problemas de abastecimento de água, erosão dos solos e a instabilidade climática, num território caracterizado por uma geografia extremamente acidentada e a existência de uma grande variedade de zonas ecológicas. Os terraços erguidos nas encostas das montanhas não apenas obedeciam a necessidades de caráter prático como também a motivações estéticas, simbólicas e religiosas.

A sincronia entre os ciclos naturais, os estelares e as atividades humanas foi a grande marca dessa civilização. A observação do movimento solar, da Lua e das estrelas permitiu determinar uma relação entre os astros e os períodos de plantio, de colheita e das atividades de pecuária. Para os incas, o solstício de inverno, no dia 21 de junho, marcava o tempo do renascimento do Sol e o da revitalização do mundo, enquanto que o solstício de verão, no dia 22 de dezembro, marcava a maturidade.

Os incas eram extremamente religiosos e consideravam o Sol e a Lua entidades divinas - às quais suplicavam suas bênçãos, fosse para melhores colheitas, fosse para o êxito em combates com grupos rivais.

O deus Sol (Inti) era o deus masculino e eles acreditavam que o rei descendia dele. Atribuíam a esse deus qualidades espirituais transmitidas à mente pela mastigação da folha de coca, que também servia de nutrição e fonte de energia.

Os incas criaram uma trilogia representada por condor, puma e serpente, animais sagrados considerados guardiões dos três mundos existentes. O condor (representante da paz, mensageiro que carrega os espíritos mortos desta vida para a vida dos deuses) era o guardião do mundo de cima. O puma (representante da força e do espírito de cada pessoa) protegia o mundo do meio. Já a serpente (ligada à inteligência humana) cuidava do mundo de baixo.

Não havia um sistema de escrita. Para gerir o império, empregavam-se os quipos, cordões de lã ou outro material em que eram codificadas mensagens. O quipo constituía-se de um cordão ao qual se ligavam cordões menores de diferentes cores, tanto paralelamente quanto partindo de um ponto comum. Os números eram dados pelos nós e as significações pelas cores. 

Os quipos eram utilizados para manter estatísticas permanentemente atualizadas. Regularmente, procedia-se a recenseamentos da população em que era contabilizado o número de habitantes por idade e sexo. Registrava-se ainda o número de cabeças de gado, os tributos pagos por outros povos ou a eles devidos, os movimentos de entrada e saída de mercadorias dos armazéns estatais etc. Com os registros, procurava-se equilibrar a oferta e a procura, numa tentativa de planificação da economia.

ARQUITETURA EM EQUILÍBRIO COM A NATUREZA

Os incas construíram templos sagrados nas encostas íngremes das montanhas andinas. Enormes blocos de pedras eram arrancados das pedreiras, desbastados e entalhados com instrumentos de pedra, e depois arrastados por roletes de madeira ou sobre trenós puxados por cordas, por meio de engenhosos sistemas de rampas. A arquitetura inca não só se ocupou do desenho de seus monumentos em função de seus requerimentos práticos como também em função dos símbolos e dos conteúdos mágicos que deviam representar. Para alcançar esse propósito, os incas aproveitavam as formas naturais presentes nas montanhas e nas planícies para criar os terraços, as plataformas cerimoniais, os observatórios astronômicos, as habitações, os canais e fontes de água.

As ruínas da cidade de Machu Picchu, encravada entre montanhas a 2 350 m de altitude, no vale do rio Urubamba, é o testemunho mais deslumbrante da capacidade humana de conviver em equilíbrio com a natureza.

AS MINAS DE SAL DE MARAS

Desde a época dos incas, os habitantes de Maras, no Peru, coletam as águas que caem de um olho-d¿água chamado Qoripujio em tanques, construídos nas encostas das montanhas, para que evapore. O sal assim produzido é vendido nos mercados de Cusco, que fica a 50 km dali. Os terrenos salinos de Maras remontam à Era Incaica. são 3 mil poços explorados num regime de cooperativa. A água supersaturada de sal emerge de uma corrente morna natural subterrânea. O fluxo é direcionado para um complexo sistema de pequenos canais por onde a água escorre formando de pequenas lagoas em forma de escadas. Aquecida pelo sol, a água evapora e após alguns dias o sal é raspado e recolhido.

O LEGADO DOS INCAS Conhecer as ruínas do Império Inca é uma oportunidade para os habitantes da América do Sul elevar sua autoestima. O estigma que tem caracterizado os países sul-americanos como subdesenvolvidos frente aos países do primeiro mundo se desfaz com a revelação da existência de uma civilização extremamente desenvolvida que nos antecedeu, e é um exemplo da nossa capacidade de viver em harmonia com a natureza e de forma sustentável.

*Arquiteto e professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP

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